quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

QUE INVEJA DO PRAGMATISMO AMERICANO


Quando você estuda Direito e lê bastante a bíblia, como é o meu caso, você começa a reparar instantaneamente que o Brasil é um país completamente desconectado e em crise com a realidade, seja ela espiritual, moral ou legal. D.Pedro II, o último sopro de pragmatismo do Brasil dizia que a melhor constituição de um país são os Dez Mandamentos. Essa frase é simbólica em vários aspectos. Ele quis dizer que a vida pode ser muito mais simples e fácil, que o sim pode ser sim e o não pode ser não, que as pessoas podem respeitar umas as outras sem regulações de condutas. Que os conflitos podem ser resolvidos sem querelas complicadas que só malandros entendem e podem ganhar. Que a harmonia de Deus, se seguida, trará muito mais alegrias do que aquelas harmonias criadas pelos homens. O Brasil decidiu jogar isso fora e abraçou o positivismo legal e o relativismo moral. E ainda dizem que Deus é brasileiro. É um país onde a grande parte das regras da moral são invertidas, onde se você não tiver um embasamento espiritual você facilmente se perde. É uma nação que fez de cantores de funk e jogadores de futebol os seus bezerros de ouro, exemplos a serem seguidos pelas crianças. A vulgaridade do país tem sua causa e a causa é a escolha de ídolos errados. O Brasil ama e idolatra o feio. E o feio denota vazio espiritual, cultural e moral. Não é surpresa nenhuma ver o Brasil tão degradado desse jeito, foi simplesmente uma escolha tomada pela nossa elite cultural e intelectual. Tudo aqui parece ser feito para complicar a sua vida em um espectro que vai desde a embalagem de produtos até as leis. No Brasil, as coisas são difíceis de se compreender. A falta de objetividade e pragmatismo desse país é um dos nossos maiores problemas. Aqui, o sim não é bem um sim, é um “mais ou menos” seguido por trocentos adendos e poréns que dizem: “então, você pode fazer, mas não pode, sendo que tem uma brecha ali que diz que você pode e outra que diz que você não pode, mas a maioria já entendeu que dá pra fazer, então você pode” Entenderam? Não? Pois é, eu também não. Esse é o Brasil.

sábado, 28 de outubro de 2017

A MULHER PERFEITA


Eu mesmo nunca fui bom em responder a essa pergunta. Sempre a considerei um exemplo de racionalidade mal aplicada. De que adianta concluir que eu gosto de loiras com alma de escritora se eu vou acabar envolvido com uma morena com corpo de passista? A vida é implacável com as nossas convicções. E morre de rir das nossas certezas Quando eu penso na mulher ideal, o primeiro adjetivo que me vem à mente é afetuosa. Aprendi, com o passar dos anos, que gosto de ter ao meu redor gente que se vincula e que demonstra carinho, sem ser chata. Racionalidade e distanciamento são virtudes importantes, mas elas não me comovem. Eu gosto de mulher doce. Outra coisa da qual eu gosto é elegância, entendida como um jeito de se relacionar com o mundo e com as pessoas. Não se trata apenas de roupas. A elegância de que eu falo começa no jeito de andar, mas se expressa, sobretudo, em atitudes e palavras. É uma mistura de harmonia, altivez e senso de humor. Eu me incomodo cada vez mais com grossura e vulgaridade. Tolerância é fundamental. Todo mundo que tem algum conhecimento sobre si mesmo sabe que seres humanos são falíveis e contraditórios. É preciso apreciar a diversidade dos comportamentos e olhar para os demais com generosa ironia. Mulheres bravas, que só recriminam as pessoas em volta, me trazem más recordações. Eu gosto de gente rebelde. Não precisa ser a Rosa de Luxemburgo, mas alguma dose de indignação e engajamento é essencial. Pessoas que não percebem as injustiças ou não se incomodam com elas me incomodam. Gente que só olha para a própria barriga também não me vai. A mulher ideal tem de ser cúmplice quando o sujeito estiver exasperado com o andamento do mundo. Olhando para trás, percebo que eu aprecio a originalidade. Não gosto de mulher igual às outras mulheres, por mais bonita que seja. Quem se confunde com o bando não me atrai. As pessoas têm de ter luz própria, personalidade, estilo. Defeitos, talvez. É isso que as torna interessantes e, às vezes, indispensáveis – onde você vai arrumar outra mulher como aquela se ela é única? Por fim, eu admiro as mulheres leves. Não, não se trata de magreza. É um jeito de olhar para a vida sem mágoas, com curiosidade e interesse. É a facilidade de rir e de se surpreender, de ficar feliz. O oposto disso é a mulher amarga, rancorosa, mal humorada. Isso afasta. Haveria outras coisas a acrescentar ao perfil da Mulher Ideal: inteligência, independência e até mesmo, como diria Vinícius de Moraes, uma indefinível e ocasional melancolia. Mas o que temos na lista é suficiente para marcar o meu ponto de vista e me covencer... que eu encontrei minha Mulher perfeita.